“Vivemos num mundo onde não fazemos o que queremos fazer, mas sim o que a convenção humana convencionou. Somos obrigados a fazer o que o Estado manda. Vivemos num mundo onde, se não temos nada somos marginalizados, somos olhados com olhares desprezantes, somos olhados de soslaio. Vivemos num mundo que, se temos algo, sobretudo monetário, somos babados, bajulados, estereotipados e, mormente, idolatrados” ANDERSON COSTA

quarta-feira, 6 de março de 2013

UM BRASIL NEOLIBERAL, O PRIVADO OU O COLETIVO?



                                                                 Anderson Costa 
Para os neoliberais, “o lucro é Deus”, não o bem público. O capitalismo não é, essencialmente, bondoso. Os plurocratas não são, essencialmente, filantrópicos, mesmo que alguns indivíduos possam sê-lo. No capitalismo, o motor das políticas é a demanda insaciável pelo lucro, não a riqueza, o bem público social ou comum. (HILL. D., p.26)

Para falar em neoliberalismo, primeiramente e, de antemão, deve-se falar em Estado, objeto pertinente e do interesse de muitos estudiosos de outrora, como Hobbes, em Leviatã, e John Locke, no Segundo tratado sobre o governo, onde expõem e explicitam as respectivas nuanças teóricas que balizam o Estado, por exemplo. Porém, é bom lembrar que, até hoje, o Estado continua sendo estudado e exposto teoricamente por muitos contemporâneos focados na elucidação desse fenômeno que se originara a partir do contratualismo engendrado por aqueles que buscavam proteção não só contra a “lei” do Estado de Natureza, mas a de suas respectivas propriedades contra rapinadores, vigentes em demasia quando da época em que vigorava o estado de natureza.

Mas, o que vem a ser Estado? Ora, ao se falar em Estado, o que vem à superfície cognitiva de qualquer pessoa é algo que lembre ou se assemelhe à “política”, governo e/ou eleição. Todavia, o Estado, cotidianamente, é configurado como uma entidade com poder soberano para governar um povo dentro de uma área territorial delimitada. Por isso, devido ao poder soberano que lhe é atribuído, é que há a devida intervenção (por ele fornecida) quando estão em xeque os seus interesses. Porém, “essas teorias de intervenção estatal começam a dar sinais de desgaste devido às frequentes dificuldades dos Estados em arcar com as responsabilidades sociais assumidas.” (ARANHA, p.261). Por isso, “desde a década de 40 alguns teóricos, como o austríaco Friedrich von Hayek (1899), defendiam o retorno às medidas liberistas do livre mercado.”(ibidem, p. 261)

Pode-se dizer, a partir daí, que o neoliberalismo, grosseiramente falando, configura-se como uma abertura comercial, como a entrada de multinacionais em determinados territórios que se deixam penetrar com o escopo econômico-privado do lucro. O Brasil, apesar de ser neoliberal, não nascera como tal. Ele passara, segundo a historiografia tradicional, por diversificados governos, muitos deles populares e nacionalistas, como o de Getúlio Vargas, por exemplo.

Há quem afirme que a semente do sistema neoliberal tenha sido plantada por Fernando Collor, mas, se a história brasileira for verifica com o devido cuidado, perceber-se-á que o neoliberalismo tivera sua semente plantada, de início, no governo de Juscelino Kubitschek (JK), já que nele foram implantados em território brasileiro grandes pólos automobilísticos, oriundos de países estrangeiros, pois “apesar do nome, a política de expansão industrial do presidente não teve nada de nacionalista. Foi, pelo contrário, repleta de medidas de desnacionalização.” (HISTÓRIA VESTIBULAR + ENEM 2011, p. 133), ou seja, menos intromissão estatal e maior envolvimento privado, por isso, quando se fala em governo neoliberal, fala-se concomitantemente em desestatizações e privatizações. Pode-ser ver isso:

A partir da década de 80, os governos de Reagan e depois Bush, nos Estados Unidos, e de Margareth Thatcher na Inglaterra são representantes da nova onda neoliberal. No Brasil a tendência se confirma nos processos de privatização de organismos estatais e abolição da reserva de mercado. Mas contraditoriamente esbarra em outras medidas de nítida intervenção estatal (muitas vezes exacerbadas) como a dos sucessivos planos heterodoxos de controle da economia para conter a inflação. (ARANHA, p.261)

Portanto, juntamente com o neoliberalismo vêm entranhadas as ideias de progresso e produtividade, e, antes de mais nada, pode-se afirmar com veemência que o neoliberalismo é o carro-chefe do capitalismo, com a devida  intervenção  do Estado, a fim de eliminar tudo aquilo que possa obstruir o livre funcionamento do mecanismo de preços livremente formados, como o combate aos agrupamentos de produtores, carteis ou trustes nacionais ou internacionais, consubstanciando tudo isso uma doutrina estatal fundamental ao neoliberalismo.

Não obstante, já no que concerne ao Estado-mínimo, vê-se, no mundo todo, com a fortificação desse sistema em questão, o enfraquecimento dos governos e o fortalecimento da iniciativa privada. É a livre concorrência, é o lucro, é o crescimento em produção dos “senhores de engenho”, é a avareza e o péssimo serviço prestado à coletividade, já que este deveria ser o segmento mais privilegiado pelo Estado. Mas, como é de praxe, concretizado e visto a olho nu, não se vê essa assistência que deveria ser direcionada ao coletivo.

Pelo menos teoricamente falando, um dos focos precípuos do Estado seria o bem-estar social, mas, eis que daí surgira, a partir de uma boa jogada estratégica lançada pelos neoliberais quando da crise do petróleo de 1973, a aglutinação de  muitos problemas sociais e, no aproveito do ensejo, neoliberais puseram a culpa de tamanha crise na política que visava ao bem-estar social, vingando daí até os dias de hoje essa política não muito benfazeja em relação à decrepitude vigente no espaço social, já que o “interesse privado geralmente  não coincide com o bem coletivo.” (MARIA HELENA, p.270), como já fora supradito.

Ademais, essa gama de “malefícios” originados pelo sistema neoliberal é explicitamente exposta sob a égide da globalização e da produção desenfreada, voltadas ao lucro exorbitante de empresários sedentos e ambiciosos, detentores dos meios de produção e filhos legítimos do neoliberalismo e seus lados obscuros, como asseveram Mara Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins no livro intitulado Filosofando, Introdução à Filosofia: “um dos lados sombrios do capitalismo está, portanto, na má distribuição de renda, com concentração de riqueza em poucos países ricos, e nestes, nos pequenos grupos privilegiados. Em decorrência, não há como evitar os focos de pobreza e miséria, e ainda desemprego, migrações, marginalizações de jovens e velhos, surtos inflacionários reprimidos por recessão longa e dolorosa.”

Vê-se então que o neoliberalismo, além de suas intenções econômico-lucrativas, está embasada em intumescidos problemas, sobretudo sociais, já que aquilo que é privado constrói-se sobre o epitáfio e em detrimento do coletivo, pois, “com o grande poder vem a grande irresponsabilidade. Assim os serviços públicos privatizados, como o sistema de transporte ferroviário, os serviços de saúde e educação e o fornecimento grátis de água potável são geridos para maximizar os lucros  de seus acionistas, em vez de prestar serviços públicos, ou para permitir o desenvolvimento sustentável do Terceiro  Mundo ou para a integridade e crescimento econômico nacional; estes objetivos não fazem parte do programa de globalização , e nem mesmo, dos planos  do capital neoliberal nacional.”(HILL. D., p.26).

A globalização, incontestavelmente, anda de mãos dadas com o neoliberalismo, ambas convergindo e se alimentando dos mesmos interesses, assim como ambas funcionando como pilares sustentadores do sistema que lhes dá embasamento:

a globalização não é um fenômeno qualitativamente novo mas uma tendência, que sempre 
foi integral para o crescimento do capitalismo...  Dentro do paradigma marxista existe um crescente reconhecimento da relevância do relato de Marx exposto no Manifesto Comunista que a globalização é o resultado previsível das tendências expansionistas do capitalismo evidentes desde que emergiu como uma forma viável da sociedade (Raduntz, 2002)

Portanto, o neoliberalismo, sobretudo no Brasil, foca tão somente os benefícios próprios, devorando tudo aquilo que venha de encontro aos seus ideais lucrativos, como acontece com o meio ambiente, por exemplo, visto que, com tal sistema sendo, ferrenhamente, o “contraponto da evolução tecnológica, ocorre a destruição do meio ambiente e o desequilíbrio ecológico, pois a lógica do interesse privado geralmente não coincide com o bem coletivo.” (ARANHA, p. 270).

O que fazer então, se esse sistema privilegia somente a minoria, enquanto a maioria passa por sucessivas e cotidianas intempéries negativas, mormente no Brasil, onde a concentração de renda atinge níveis alarmantes? O que esperar de um sistema que tende a rejeitar o Estado assistencialista - que teoricamente significa a contradição com o livre mercado -, mas que bem ou mal tem ajudado a minorar as dificuldades dos trabalhadores? Fica então a reflexão, de forma contundente e assertiva, exposta no livro Filosofando, Introdução à filosofia, de Maria Lúcia Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins (1993, p.270): “Daqui para frente, na selva do ‘salve-se quem puder’, onde já sabemos de antemão que as chances no ponto de partida não são iguais, a tendência é o recrudescimento dos problemas sociais.” Ou seja, enquanto tal sistema vigorar com força total, as desigualdades vigentes em todo o espaço mundial e, mormente, nacional, serão corporificadas com mais coesão e, sem sombras de dúvidas, mais robustas ficarão, pois o social jamais será o interesse primário do neoliberalismo, mas unicamente o livre mercado com seu capital lucrativo e sua abastança monetária.

CAPITALISMO, TRABALHO ALIENADO E RESISTÊNCIAS

por Anderson Costa


Uma das maiores preocupações mundiais, pelos menos pseudo-teoricamente falando, diz respeito à degradação pelo qual vem passando o planeta, daí originando-se a nomenclatura da vez, o vocábulo mais falado do século XXI: sustentabilidade. Mas tudo isso, toda essa degradação ambiental e afim, fora e ainda é ensejada pelo avanço exacerbado do Capitalismo, voraz e desenfreado, irrefutável e destruidor, com o escopo “benévolo” da globalização, da economia, do setor privado e do neoliberalismo.

Todavia, não há como falar em Capitalismo e suas nuanças sem antes não falar em trabalho, tanto braçal quanto tecnológico, já que qualquer uma de suas formas e espécies funciona como alicerce do sistema econômico em questão e vigente, o Capitalismo. Ora, para quê serve o trabalho senão para produzir riquezas, robustecer ainda mais o corpo capitalista e alienar o trabalhador ao produzir em demasia objetos estranhos e alheios a si mesmo? É o que Marx asseverara ao dizer que, “quanto mais o mundo das coisas aumenta de valor, mais o mundo dos homens se desvaloriza. Ocorre então a alienação, já que todo trabalho é alienado, na medida em que se manifesta como produção de um objeto que é alheio ao sujeito criador”.
Sem sombras de dúvidas, o Capitalismo extirpa do homem a sua força de trabalho e sua “liberdade” em prol, sobretudo, da propriedade privada, já que fora demonstrado por Marx que “a propriedade privada constituiu o resultado do trabalho alienado. Com o desenvolvimento da propriedade privada, desvenda-se o seu segredo, para saber, de um lado, que ela é o produto do trabalho alienado e, por outro, que ela é o meio pelo qual o trabalho se aliena, a realização da alienação.”

Mas, além da alienação oriunda do trabalho, outro fator preponderantemente imposto por um dos produtos capitalistas, a globalização, diz respeito à quebra e até mesmo a destruição de tradições e identidades culturais, como a destruição de muitas comunidades e afins, como a expansão de obras urbanas em detrimento do ruralismo, como a mecanização de atividades agrícolas, antes desempenhadas por grupos já com identidades consubstanciadas, porém quebradas com êxodo rural, assimilando identidades alheias e legitimadas, todas com o foco precípuo do “progresso” e da “globalização”. Mas, que progresso é esse que hegemoniza unilateralmente as identidades, legitimando-as? Eis aí o motivo preconizador das resistências, mais precisamente falando, das identidades de resistências, como é claramente exposta no filme de Eliane Caffé, “Os narradores de Javé”, aonde a identidade legitimada vem com força total, tentando sobrepujar com esmagadora violência e através de lemas progressistas as demais identidades corporificadas nas comunidades, sendo a maioria rural, haja vista um mundo regido pelo “modus vivendi” (identidade legitimadora).  Daí há o surgir dos movimentos urbanos, como identidades de resistências que são, às exarcebações do capitalismo, estatismo e informacionalismo. Daí a resistência dos moradores de Javé, subsidiados por sua cultura e história, por suas fontes de significados e experiências, por um conjunto de atributos culturais inter-relacionados, subsidiados, mormente, por sua identidade local, já que as “identidades por sua vez constituem fontes de significados para os próprios atores, por eles originadas, e construídas por um processo de individuação.” (CASTELLS, p. 21)

Portanto, vê-se aí o papel devastador do Capitalismo, tanto no que concerne à alienação dos homens através do trabalho, quanto através da imposição da identidade legitimada através dos pressupostos tecnológicos do progresso e da globalização. Mas a pergunta continua sendo a mesma: “quem realmente sai ganhando com tudo isso, os que detêm suas identidades devastadas ou os que usufruem da devastação das identidades alheias? Quem se beneficia mais, os que são devorados pela globalização ou os que se acham necessitar da destruição da identidade cultural alheia para ter luz, notebooks, Tv’s e afins em suas residências, respaldados pela teoria da informatização tecnológico-global?

Fica aí em xeque os princípios alicerçadores do Capitalismo, onde o legitimado detém prerrogativas à revelia de qualquer empecilho que venha de encontro aos seus interesses. E a resistência, essa deve resistir até onde puder. 



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

MARSHALL BERMAN, as aventuras da modernidade



por Anderson Costa

Paradoxismo, antítese e discrepâncias são alguns dos pressupostos da modernidade segundo Marshall Berman no seu livro intitulado “Tudo que é sólido se desmancha no ar, as aventuras da modernidade”. Sem sombras de dúvidas, a modernidade diverge, com a alcunha de progressista, do tradicional, rotulado como estático e/ou sem movimento.Segundo o autor supracitado, a partir da visão futurista de italianos defensores da modernidade, “tradição se iguala simplesmente à dócil escravidão, e modernidade, à liberdade”. Daí tira-se a conclusão contextual e, veemente por sinal, de que a modernidade nada mais é que o desagrilhoamento do que seja estagnado e fincado, ganhando a modernidade, por assim dizer, um caráter dinâmico, de movimento, de constante mudança, “desmanchando no ar tudo que é, ou era até então, sólido”. Um exemplo fatídico dessa dicotomia tradicional-modernidade diz respeito às definições que permeiam as conceituações sobre certo e errado, embaralhando-as e trazendo à tona complicações no que tange ao genuíno do que seja certo e do que seja errado, pondo-nos a todos, metaforicamente falando, à deriva, destituídos de firmes assoalhos e de conceitos universais.

Marshall faz referência crucial e consubstanciadora da modernidade ao falar no capitalismo como sua mola propulsora, da revolução burguesa como sua mãe criadora, assim como a interação do binômio homem-máquina, a velocidade que encurte as distâncias que outrora eram longas, a voraz globalização, interligadora das culturas, assim como, viabilizante de turvidões a respeito das identidades alheias, da unicidade, formadora do individualismo exacerbado e da concretude cognitiva.

Incontestavelmente, um dos principais pilares sustentadores da modernidade é a tecnologia, explicitada com vigor por Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, no seu poema Ode Triunfal:

À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! (...)
In Fernando Pessoa. Obra poética. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1986.

O que se pode concluir, talvez precipitadamente, é que, tudo que seja oriundo do capitalismo e que funcione para seu crescimento “salutar” forma as bases e alicerces sustentadores da modernidade, metamorfoseando as nuanças intrínsecas ao ser humano, como assevera Marshall: “somos seres sem espírito, sem coração, sem identidade sexual ou pessoal...” E eis que surge a oportuna pergunta: “viverá o capitalismo sem suas máquinas proporcionalizantes da produção imódica em prol da modernidade mercantilista? Conseguirá o homem viver sem os aparelhos celulares, computadores e afins? Indubitavelmente, não! Ou seja, ao passo em que a modernidade desagrilhoa do tradicional, concomitantemente encarcera a todos na prisão ideológica do progresso tecnológico, tornando-nos seres passivos e submissos às engrenagens da tecnologia.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

DE HOBBES A LOCKE


DE HOBBES A LOCKE

por Anderson Costa

A sociedade, mais precisamente falando, o Estado civil onde vivemos, é fruto, pelo menos teoricamente falando, de uma conjuntura ideológica proveniente de muitos autores e pensadores, mormente os de outrora. Se vivemos sob a égide da lei, sob qualquer limitação que concerne à liberdade de ação humana e, sobretudo, sob as rédeas do Estado, é devido a uma série de acontecimentos que culminaram no que hoje chamamos de sociedade civil e, graças aos contratualistas, temos a oportunidade de entendermos esse processo que gerou os meios adequados e salutar para um convívio social harmonioso e “feliz”.

De fato, o contratualismo não terá coerência se não se falar antes em Estado de Natureza (ou Estado Natural), que diz respeito, no ponto de vista hobbiniano a um completo caos, pelo simples fato de inexistir leis que limitem a ação e as arbitrariedades do homem, já que, nesse Estado: “o homem é lobo do homem”, como asseverara Hobbes. Todavia, o Estado de Natureza, com suas nuanças e acepções, varia de acordo com a visão e a época de cada contratualista: para Hobbes, como fora supracitado, tal estado não passa de um verdadeiro caos, onde predomina a violência, o egoísmo e a cobiça que, segundo o autor é intrínseco ao homem. Eis aí o motivo de ser do Absolutismo impregnado da sua obra principal, Leviatã, defendendo o uso absoluto da força: “para Hobbes, o poder do soberano deve ser absoluto, isto é, ilimitado. A transmissão do poder dos indivíduos ao soberano deve ser total, caso contrário, um pouco que seja conservado da liberdade natural dos homens, instaura-se de novo a guerra” (Maria Lúcia de Arruda Aranha, Filosofando, Introdução à filosofia, p.211)


Em contrapartida, John Locke, quebrando os pilares do absolutismo, dá ensejo, principalmente devido aos eventos políticos de sua época, como a Revolução Gloriosa, por exemplo, ao Liberalismo político, já que, enquanto Hobbes destacava a soberania do poder Executivo, Locke considera o Legislativo o poder supremo. Contudo, ao contrário de Hobbes, aquele ver o Estado de Natureza como de relativa de paz. Mas, atinente ao Contrato Social, o que o viabilizou, para Hobbes, foi tão somente a violência oriunda das adversidades que o estado natural proporcionava, ou seja, “tendo em vista conseguir a paz, e através disso sua própria conservação, criaram um homem artificial, ao qual chamamos Estado”. (Hobbes, Leviatã, Col. de pensadores, p. 134-135). Já para Locke, o que propiciou o dito contrato foi a ideia de propriedade por ele consubstanciada, com o objetivo da defesa de outros homens, isto é, da defesa da rapinagem, prática comumente usada nesse estado: “estas circunstâncias obrigaram-no a abandonar uma condição que, embora livre, está cheia de temores e perigos constantes; e não é sem razão que procura de boa vontade juntar-se em sociedade com outros que estão já unidos, ou pretendem unir-se, para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a que chamo de propriedade”. (Locke, Segundo Tratado sobre o Governo, Col. Os pensadores, p.88)


Eis aí um paralelo resumido e uma ideia superficial do contratualismo e contratualistas, lembrando que, além de Hobbes e Locke, houve também Rousseau, autor de O contrato Social e Origem da desigualdade entre os homens, evidenciando, nesta última obra, situações hipotéticas do Estado de Natureza que também culminaram no contrato entre os homens. Uma leitura aprofundada dessas obras seria de muita valia para quem quer aprofundar-se no assunto e entender um pouco mais e assimilar a gama de conhecimentos imbuída nelas.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SEM MÚSICA E SEM LEITURA

por Joãozinho Ribeiro

Passei duas semanas sem produzir artigos para essa coluna, não por falta de assuntos, pois esses transbordaram nestas últimas semanas, incluindo prévias do PT, votação pelo STF sobre o aborto de fetos anencéfalos, CPI do Cachoeira, 18º salários dos deputados do Maranhão e tantos outros temas de maior ou menor monta.


A verdade é que me defrontei com alguns problemas de saúde que exigiram algumas modificações urgentes de hábitos repetidos por muitos e muitos anos, passando por dieta rigorosa, exercícios físicos y otras cositas mas. Por isso, encontro-me, desde a páscoa, recolhido em algumas reflexões sobre a vida e sobre a conduta dos seres que me cercam e sobre algumas coisas que ainda acreditamos como parte indeclinável das nossas utopias.

No exato momento em que me debruço na elaboração destas linhas, tomo conhecimento pelo programa da Universidade FM, “Chorinhos e Chorões”, do fechamento das duas escolas oficiais de música, localizadas na capital: a Lilah Lisboa, do Governo do Estado, e a Municipal, ligada a Prefeitura de São Luís. Duas importantíssimas instituições, pelas quais já passaram gerações de músicos do mais reconhecido gabarito.

Tudo isso acontecendo na semana em que a cidade é agraciada com o pomposo título de Capital Americana da Cultura, e no ano em que completa 400 setembros de existência. Não bastasse o fechamento da Biblioteca Pública Benedito Leite, que data do primeiro semestre de 2009, agora contamos com mais essa “premiação” inusitada das duas escolas de música de São Luís, na contramão do discurso dos dois governantes, que se esmeram em tentar demonstrar quem é mais amante da cultura maranhense, na farta publicidade com que o dinheiro público irriga diariamente os meios de comunicação.

Até há pouco tempo, quem sabe ingenuamente, ainda acreditava que algumas sacolas de maldades e de deliberado escárnio com a coisa pública era apenas resultado da inapetência ou incompetência dos gestores, conduzidos a cargos com os quais já não se sentiam portadores de nenhuma responsabilidade. Agora me passa uma certeza de que sabem perfeitamente o que estão fazendo e do que pretendem com estas ações ou omissões. Como diria D. Amália, minha saudosa mãe: não dão ponto sem nó.

Tenho refletido sobre as palavras atribuídas a Jesus Cristo, quando já se encontrava pregado no madeiro, e ainda assim derramava sua compaixão sobre homens e mulheres que o traíram e o condenaram, externando sua extrema generosidade isenta de qualquer vingança ou rancor pelos atos cruéis que resultaram em sua crucificação: “Pai, perdoai, pois eles não sabem o que fazem”.

Se pensarmos num Cristo contemporâneo, inteirado naturalmente por obra e graça da sua onisciência, dos problemas que rondam o planeta, da corrupção sem limite existente no mundo, da proposta imoral de Código Florestal que está prestes a ser aprovada pelo Congresso Nacional, dos incontáveis salários dos parlamentares brasileiros, com toda a certeza, penso que mudaria radicalmente o teor de suas palavras para: “PAI, NÃO PERDOAI, POIS ELES SABEM, MUITO BEM, O QUE FAZEM!”.
Joãozinho Ribeiro escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.

domingo, 22 de abril de 2012

QUE VENHA A SÃO LUÍS BELA E QUE VÁ A SÃO LUÍS FEIA E MAL FALADA!






Meu povo, já estou com o abaixo assinado que enfatiza a revitalização infraestrutural e de saneamento básico do retorno do Anel Viário em mãos. Este será destinado ao futuro Prefeito de nossa Cidade, visto que, como esse ano é de eleição, nada de grande vulto será feito pela atual Administração. Estou com o foco na gestão vindoura. Quem pretender assiná-lo, avise-me desde já. Quanto mais assinaturas forem recolhidas, mais peso terá nossa reivindicação e, consequentemente, maiores chances de ser atendida. Conto com todos que querem ver a nossa Cidade bela. Contando com o apoio do movimento estudantil da UFMA, do nosso artista Joãozinho Ribeiro e da nossa excelentíssima e brilhante Deputada Eliziane Gama...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dilma dinamite Numa só semana, ela implodiu nomes fortes do PT e do PMDB. Quem é o próximo?

Por: Leonardo Attuch , colunista da ISTOÉ.


Quatro meses atrás, quando foi capa da revista “Newsweek”, a presidenta Dilma Rousseff ganhou um apelido preciso: “Dynamite Dilma”. Aquela reportagem, no entanto, não deve ter sido lida pelo deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que dorme e acorda sonhando com a presidência da Câmara dos Deputados. Dias atrás, quando seu apadrinhado no Departamento Nacional de Obras contra as Secas balançava no cargo, suspeito de drenar quase todos os recursos do órgão para o Rio Grande do Norte, Alves bravateou: “Ela não vai querer comprar uma briga com o maior partido do País.” Comprou. Horas depois, Elias Fernandes, que mandava no Dnocs, estava demitido e o líder do PMDB se viu humilhado e reduzido ao seu verdadeiro tamanho.

Antes dele, José Sérgio Gabrielli, também brincou com fogo ao alardear que tinha o costume de gritar com a então ministra Dilma. No começo da semana, foi demitido da Petrobras e saiu falando fino. Perdeu o comando da maior empresa do País e terá que se contentar com uma secretaria do governo da Bahia. Dilma impôs sua escolha para a estatal, nomeando a diretora Maria das Graças Foster, sem se dar ao trabalho de consultar o partido que a levou ao poder. E, enquanto petistas esperneavam, investidores compravam ações da Petrobras.

Nos próximos dias, especula-se que serão demitidos outros diretores da empresa, indicados por PT e PMDB, os dois partidos que formam o eixo central da coalizão que governa o Brasil. É assim, dinamitando aliados, que Dilma se impõe e vem conduzindo uma reforma do Estado que ultrapassa os partidos. Com o Congresso na mão e sem uma agenda de reformas estruturais, ela ancora a governabilidade na boa imagem que tem junto à opinião pública e ainda tripudia dos aliados ao flertar com os adversários – no dia em que São Paulo festejava seus 458 anos, Dilma recebia medalhas de Gilberto Kassab e posava sorridente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Dilma já percebeu que seu estilo agrada. E se 2011 foi o último ano da era Lula, que ainda não havia desencarnado, 2012 já nasce forjado pela presidenta com a sua marca e a sua cara.

É também um governo com um corte de gênero cada vez mais explícito. No Palácio do Planalto, as três principais assessoras de Dilma são mulheres: Gleisi Hoffmann, Helena Chagas e Ideli Salvatti. Na maior empresa brasileira, carro-chefe do PAC, há uma mulher no comando, Graça Foster, que também tem fama de durona.

Tempos atrás, quando se viu instada a explicar seu estilo, Dilma se definiu como uma mulher dura cercada de homens meigos. A cada dia, para quem ainda duvida, ela prova que sabe e gosta de mandar. E que começa também a criar seus avatares na máquina pública. As mulheres estão no poder.

E os homens, meigos ou não, fariam bem se baixassem a crina.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

AS REDES SOCIAIS: DO PRIVADO AO PÚBLICO

MINHA REDAÇÃO DO ENEM CUJA NOTA FORA 1000.



Tornou-se, em pleno século XXI, habitual, corriqueiro e até mesmo obrigatório, inclusive no que concerne à educação e à multidisciplinaridade escolar, o acesso à internet, o ensinamento de suas nuanças e de tudo o mais que da sua utilização seja de conveniente serventia. Todavia, com as redes sociais nela presentes, como o Facebook ou Twitter, por exemplo, faz-se consubstanciar a conjuntura, muitas vezes mal interpretada, dos pólos privado e público, o que acarreta no prejuízo moral de muitas pessoas, chegando às vezes a níveis exorbitantes, como, por exemplo, a decrepitude de imagens alheias que se concretizaram assiduamente com o labor de anos a fio. Como fazer criteriosamente essa diferenciação entre o que seja público e/ou privado? Como utilizar as redes sociais de forma que outrem não seja direta ou indiretamente prejudicado?

Um dos prejuízos da má utilização das redes sociais é o que se vê diariamente nos jornais e demais informativos sociais, a saber: escândalos e demais situações afins envolvendo pessoas públicas, “celebridades” e tudo o mais que é alimentado pela mídia voraz. Vê-se, outrossim, a metamorfoseação do que obrigatoriamente era pra ser privado em público e notório. Tudo isso proveniente da malévola utilização da internet e, mormente, das redes sociais, que são as principais viabilizadoras de todo esse malefício consumido e de toda essa turvidão (que já se fez inerente) entre o público e o privado.

Indubitavelmente, tudo gira em torno da devida conscientização que, como fora supradito, deve ser oriunda do aprendizado escolar, do seio familiar e da subjetividade de cada indivíduo, conspirando para a melhoria das condições sociais e humanas atinentes a esse meio eletrônico e de fácil disseminação informativa, que é a internet. Essa questão contextual não se resume ao fato de “os fins justificarem os meios” como asseverara Maquiavel no seu livro intitulado O Príncipe, mas unicamente no da ciente utilização desses meios comunicativos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Desterro

por Anderson Costa

As tardes desterrenses ainda carregam nos lombos resquícios poéticos, estórias seculares, mexericos rotineiros, crenças, por vezes incrédulas, a Nossa Senhora do Desterro, nostalgias sem saudades, olhares de afeição rotineiramente lançados pela torre bizantina da Igreja cujo nome é o mesmo desse título, e o amarelo do mijo atrelado culturalmente às narinas e ao corpo do bairro qual pano branco no corpo de mal cuidada criança. Há quem reclame do fétido odor do mijo impregnado nas calçadas, o qual certamente dera o ar da graça no ensejo proporcionado pelas silentes madrugadas que têm seus tédios muitas vezes quebrados pelo apitar intervalado e sem qualquer modulação proveniente do vigia da rua, assim como pelas brigas e assaltos cometidos por viciados, na mesma quantia que há por aqui, na Travessa do Portinho. Mas, voltando ao mijo, há também quem não vê, apesar de não ser nada higiênico, o ar poético por ele proporcionado, concretizando nas férteis imaginações (de quem se deixa levar obviamente) silhuetas amargas de boêmios, de algum Nauro, de algum João, de algum Ribeiro.

Todavia, o néctar desterrense se resume no canto da padaria, cuja  proprietária se chama Dona Maria, onde rolam as conversas despretensiosas e paralelas, as persignações dadas às três e meia, os berreiros interioranos, as lembranças do que acontecera na última rodada de chope e os ameaçados de serem processados por qualquer injúria oriunda desta mexericagem.

O impressionante é o canto à capela feito sempre às tardes, homenageando-as, e o fiz citando as tardes desterrenses. Por que as tardes? Pelo vício crepuscular erigidos pelos poetas? Talvez sim. Talvez não. Mas, atinente ao Desterro, sobretudo aos domingos, nada é mais importante que as manhãs, entoadas semanalmente bem cedinho pelas bimbalhadas a indicarem iminente missa e com serventia de um inconveniente despertador. Por isso reitero: aos domingos as manhãs são de suma importância. Todavia, ainda há as bimbalhadas lúgubres (dando valor, não o monetário, às tardes) a informar com os devidos pêsames o falecimento de algum devoto, de algum desterrense, independentemente de simplório ou concupiscente. Porém, essa peleja entre manhã e tarde é anulada totalmente pelos dobrados que de longe provém. É a Banda do Bom Menino que anuncia o início da formal manhã e o finzinho de tarde com o hino da Fundação José Sarney, prédio público, tombado e, agora, imoralmente “privado”.
CONTINUA... 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Exórdio

Exórdio do meu futuro segundo livro de Sonetos.


No impulso de viver mais um dia de trivialidade, mais um momentinho sequer, levanto-me da cama a qual dormir toda a noite e, automaticamente, sento-me a mim e ao meu ser por sobre uma velha cadeira, já torta e um pouco à toa devido às sucessivas horas em que nela permaneci. Quase todas as manhãs é esse o meu ofício. Por sobre a mesa um pouco empoeirada derramo todas as minhas tripas, até o intestino delgado das acepções, todas as minhas artificiais convicções. Não me debruço sobre Dante, Rimbaud, Balzac ou Baudelaire, mas tão-somente sobre as poesias do Nauro Machado, sobre suas moelas viscerais, sobre o vazio da existência, não o schopenhaueriano, mas o meu próprio. Quando não, busco alguma energia que me galvanize, mesmo sendo-me uma autoflagelação, a andar rente a estátuas, a ouvir-lhes os cânticos sem aquele quê de melodia. Às vezes até canso desta existência e às vezes não, pois teoricamente o viver é só um. Às vezes também canso das horas ociosas que o alheismo venera, do vazio comunicativo que enche a vizinhança de merdas, das vermes que açoitam todas as entrelinhas, moldando todos à superficialidade.

Todavia, ainda há em mim um quê de esperança. Talvez ainda exista um restinho de sensibilidade entre as pessoas, neste convívio social que se diz contemporâneo devido à convenção numérica das vinte e quatro horas. Por que estou a dizer isso? Porque o que apenas vejo ao meu redor são paredes, algo rústico, idolatrias exasperantes e uma tosquiação dos que se elevam, uma cusparada feita ofício. E o que é o viver? É integrar-se a um partido político ou a uma religião e diariamente discutir com veemência a ambos, ou será apenas dizer que se é crédulo? Se isso é o viver, por favor, ponham-me vivo em qualquer mausoléu ou me joguem no poético além-mar, longe, bem longe das doutrinas que escarram na cabeça de todos, sem exceções, longe dos postiços sorrisos, dos que se prendem à frente dos anticoncepcionais tão vendidos na novela das oito. Por favor! Todos os dias assim se vão, às daninhas, entupindo-me as artérias, mijando sobre mim os seres-empáfia daqui e de acolá.

Assim também se vão minhas divagações, desnorteadamente sobre minha cabeça, algo assemelhado a uma auréola subtendida. Por isso levanto os braços e agradeço todos os dias a Deus: “que bom que as estórias não se repetem e que em algum lugar permanecem enquanto minha matéria fica retida num espaldar futurístico que não há, numa incertidão descompassada”. E enquanto não chega as propícias aniquilações subalternas, reflito tudo o que longe permanece, algo que morreu nas carnes de Foucault, de Nietzsche ou de Kierkegaard, algo individualista e que se esqueceu da plenitude desejada. Embora assim finja-me te digerindo, ó senhoras conveniências, a amarelidão das sequazes hepatites, hei de convir com o provérbio que diz ser a vida excelentíssima quando destituída de sabedoria.

Até ao anoitecer, qualquer manifestação de chulice é intrínseca à minha forma de organização artística. Sempre serei chulo, pois os meus chefes do dia-a-dia, todos os detentores da sabedoria e dos bons modos sempre me olharão de soslaio, continuarão a passar sem qualquer bom-dia me dizerem, todos nas suas vestes egocêntricas. Não que os bons-dias signifiquem algo para mim. O que significa tão-somente é a hierarquia dos circundantes. Encontro-me mesmo é num necrotério de friorentos corpos já sisudos de tantas convicções, de tantas razões verdadeiras, de tantas verdades absolutas.

Enfim, o tempo sempre permanecerá em chamas, totalmente consumido pelo tedioso ornamento da onomatopeia: tique-taque, evaporando-se nas putrefatas matérias de milhares de cadáveres clandestinos, por aí à deriva de toda a substância, de todas as responsabilidades do desespero-fraqueza kierkegaardiano. Ainda há quem não veja o retumbar insolente de tudo que já foi ensinado, da ciência que se fez edificada. 


Mesmo quando não me convém, irei elucidar o que se deixa elucidar-se, irei chorar no meu próprio funeral, irei cuspir onde os olhos não alcançam, irei amarrar os ossos à fome mundial. Irei fazer tudo isso sem me ater a escapulários, a rosários, a procissões, a promessas. Se for pra cair, quedar-me-ei nas cinzas das minhas borradas pinturas, sem o belo arco-íris das demais vidas, sem a conta bancária que enseja as máscaras risonhas. Para alguns resta somente a reza, para outros a oração. Para mim resta a consolação de saber que há algo após meu findar, algo melhor que tudo isso, algo que não se move no respaldo estereótipo, algo que não chora por não ter que sorrir.
                                                                                                                   Anderson Costa

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

ANARQUISMO

por Anderson Costa

Após de eu iniciar a leitura do livro: História das ideias e movimentos anarquistas, de George Woodcock, percebi convictamente que o anarquista não é, como já foi estereotipado pelos comensais estatais, um baderneiro ou simplesmente um pregador da desordem; o anarquista busca a simplicidade natural preexistente, abole as instituições autoritárias e o Estado como um todo, assim como o Contrato Social externado teoricamente por Rousseau. Em suma: “o anarquista vê o progresso não como o acúmulo de bens materiais ou como a complexidade crescente de estilos de vida, mas em termos de uma moralização da sociedade através da supressão da autoridade, da desigualdade e da exploração econômica.”

É, sem sombras de dúvida, uma questão com ares fragmentais de utopia, pois a própria Utopia (a obra de Thomas More não poderia ficar de fora) é rejeitada pelos anarquistas. Segundo estes a Utopia diz respeito a uma sociedade perfeita e o que é perfeito não progride, o que inviabilizaria o crescimento humano em todas as suas nuanças. Todavia, o que chama atenção no escopo social anarquista de uma vida simples, sem qualquer padrão de luxúria, é a sensibilidade que o homem iria adquirir. Com o trabalho destinado somente às necessidades de subsistência e sem qualquer intenção acumulativa haveria tempo para poesia, para as descobertas e tudo o mais que possibilitaria o enriquecimento da alma...

domingo, 17 de julho de 2011

LICENÇA PARA ROUBAR

Revista Veja edição 2222 – ano 44 – n°25
22 de junho de 2011

Finalmente, pode-se dizer que algo nos preparativos para a Copa de 2014 está dentro do previsto: o comportamento do governo em relação às obras obedece com rigor e precisão a tudo o que os especialistas em controle de gastos públicos haviam antecipado. Primeiro, adia-se até o limite do suportável o início das construções. Então, na antevéspera do campeonato, “descobre-se” que está tudo atrasado e que é preciso acelerar o andamento dos trabalhos sob pena de não haver Copa alguma e o país protagonizar O Grande Vexame. Conclusão inelutável: é preciso afrouxar a fiscalização e inventar “jeitinhos” de o dinheiro sair mais rápido. Na semana passada, a Câmara dos Deputados ajudou o governo a avançar mais um passo nesse roteiro. Os deputados aprovaram o texto básico da medida provisória (MP) que altera as regras de licitações e abre espaço para o encarecimento das obras e a diminuição da fiscalização.

Tudo nessa MP é um descalabro. Mas a mudança mais deletéria, e acintosa, é a que substitui o critério objetivo de escolher uma empresa segundo o preço e as condições que ela oferece pelo critério nada objetivo de selecioná-la de acordo com o que acha uma comissão apontada pelo governo. Pelo texto aprovado, cabe a essa comissão atribuir às empresas e suas propostas “notas técnicas”, que têm mais peso no resultado do que os orçamentos e projetos apresentados. Esse modelo de licitação sempre existiu, mas com exceção – apenas para casos de projetos culturais ou obras que requerem grande especialização. Nas vezes em que o modelo foi indevidamente utilizado, como por ocasião da licitação para a construção dos aeroportos da Infraero, ficou evidente que não funcionava. O jogo de cartas marcadas fez com que cada empresa concorrente levasse um aeroporto. Ou seja, todo mundo saiu ganhando (menos o contribuinte, é claro). É isso que se teme que ocorra novamente caso a oposição não consiga retirar da MP os pontos mais problemáticos – como o que permite o decreto de sigilo sobre os orçamentos das obras da Copa. Essa parte do projeto foi inserida na calada da noite pelo relator José Guimarães (aquele petista cujo assessor foi flagrado com dólares na cueca), mas o governo nega que ela tenha o objetivo de esconder informações. Em suas ações, no entanto, sinaliza o contrário: o ministro do Esporte, Orlando Silva, já declarou que quer retirar também da internet os dados sobre as obras em andamento.

Breve digressão histórica: na denúncia do mensalão, a Procuradoria-Geral da República listou as irregularidades verificadas na contratação, por órgãos do governo, da agência de publicidade do ex-carequinha Marcos Valério. Lá estavam: licitação subjetiva, serviços em uma mesma empresa. Tudo de que a Copa de 2014 não precisa é uma inspiração mensaleira.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

XEQUE PARA A UM BRASIL DEMOCRÁTICO E DE DIREITO

POR ANDERSON COSTA
Devido à ditadura militar de 1964, juntamente com sua política de exceção e de aspecto unicamente conservador, houve a malévola estigmatização do que sejam conservadorismo e partidos de direita. Todavia, isso não vem ao caso, pois, o que será exposto nas linhas subsequentes diz respeito à submissão que vem se concretizando entre os parlamentares para com o Executivo.

Certamente, e conforme está descrito na Constituição, o que deveria ocorrer quando o assunto é vertente à tripartição do poder, mais precisamente o exercício dos três poderes necessários à norteação adequada, legal e coerente da nação (Executivo, Legislativo e Judiciário), é a atuação de cada um dos ditos poderes de forma harmônica e independentes entre si. Mas isso realmente ocorre?

Com o escopo do esclarecimento referente à contundente pergunta retórica, exponho aqui um dos trechos interessantes extraídos da Revista Veja, edição 2220-ano 44-nº23, 8 de Junho de 2011 sobre a entrevista efetuada ao Senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que diz: “o Parlamento se acomodou e hoje é diretamente mandado pelo Poder Executivo. E não é só por causa do reduzido número de parlamentares na oposição. É porque realmente os congressistas não querem apurar a conduta de nenhum colega e não querem fiscalizar o governo...”
O Brasil não é, como o foi outrora, um estado tão somente democrático, mas democrático de direito. No entanto, todo esse momento crítico e de total submissão põe tal assertiva em xeque, como assevera Demóstenes: “De um lado temos o Executivo mandando por meio das medidas provisórias, e de outro o Congresso sem cumprir sua obrigação, a ponto de a quase totalidade das leis aprovadas ter origem no Palácio do Planalto. No fim das contas, o Congresso se comporta bovinamente.”

E então, como fazer para que finde essa centralização que não possui qualquer serventia para o regime republicano e presidencialista vigorante? Não pode haver o alavancamento de um Brasil travestido, como acontece com muitos parlamentares, sobretudo aqueles que são eleitos devido ao partido a que pertencem e logo após migram para outro, preferencialmente os que andam alinhados com o governo, lógico!

E aí fica a questão quase que irremediável: “como melhorarmos os resultados das vindouras eleições, já que todo e qualquer resultado é definido por aquele que detém o maior poder econômico? Como, se as mentes estão manipuladas pelos meios de comunicações?”

sexta-feira, 3 de junho de 2011

ESTEREÓTIPOS NEGROS

POR ANDERSON COSTA
O que já ficou estereotipado nas carnes e mentes de todo o mundo é o de que a escravização foi crucialmente tangida sobre o lombo dos negros africanos e de que seu findar deu-se tão somente com a promulgação da Lei Áurea. Todavia, a historiografia tradicional, assim como muitas outras coisas oriundas dos livros didáticos seguem rumos diferentes, isto é, diversificados se for levado em conta a constatação do que realmente ocorreu.

De fato, o que mais impressiona em relação a todo esse aglomerado de informações provenientes dos compêndios e alfarrábios é o de que “nem o Corão nem a Bíblia condenam a escravidão. Pelo contrário: por séculos, trechos dos textos sagrados foram usados para legitimar a prática, que foi um dos pilares econômicos das sociedades judaica, cristã e muçulmana”, assevera Guillaume Hervieux na revista História Viva nº 88.

Por muitos anos o processo de aprisionamento escravista era direcionado àqueles adversos no que concerne à riqueza, nobreza, cor, origem, entre outras características que funcionavam como legitimação escravista. Mas, com o transcorrer do tempo e da forma de pensar, sobretudo no que tange ao recrutamento de fieis, passou-se a ser submetido à escravidão aquele que não possuía uma fé específica, isto é, uma religião a seguir, levando em conta a inexistência de países laicos em ditos séculos. Em suma, tal requisito de liberdade era mais uma estratégia de enriquecimento de adeptos religiosos, o que aumentava a riqueza e, consequentemente, os poderes eclesiásticos.

Percebe-se então, e segundo Guillaume Hervieux, que “os textos sagrados podiam, porém, ser usados para justificar o pior”. Tal citação diz respeito ao mito bíblico de Canaã que diz serem condenados à escravidão os povos do continente por serem descendentes de Canaã que, de acordo com o livro do Gênesis, fora amaldiçoado por seu avô, Noé, a ser “o servo dos servos”.

Certamente, conforme descrito nos parágrafos acima, vê-se com clareza o quão a religião foi utilizada para justificar a escravização, sem contar as outras parcelas de culpa atribuídas aos outros setores.

E hoje, a quem é atribuída a parcela de culpa sobre a escravização contemporânea? Houve a abolição, mas o sistema persiste, embora embutidamente em vários pontos ecumênicos.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

A IDADE DO PETRÓLEO

POR ANDERSON COSTA
Um fator preponderantemente preocupante e que é motivo, pelo menos em tese, de demasiadas discussões mundiais é o da lenta degradação pelo qual vem passando o planeta, tornando-se assim o pivô das ditas discussões o possível fim da Idade do Petróleo, pois, como define o ex-ministro Delfim Netto: “a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras, mas pelo fato de outras tecnologias mais eficientes terem sido inventadas”.
De fato, há, quase que exclusivamente, uma dependência integral dos homens para com o ouro negro, uma dependência com o carro-chefe ameaçador, devido aos problemas ambientais que vêm causando, da própria existência humana, já que o consumo mundial não dá sinal de trégua, como afirma Carta Capital: “o consumo mundial cresceu quase 30% entre 1990 e 2008, de 67 para 86 milhões de barris por dia. No mesmo período, a demanda do petróleo na Índia mais do que dobrou e a da China, triplicou. De acordo com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Nobuo Tanaka, em 2010 o mundo consumiu 2,7 milhões de barris a mais que no ano anterior. O ritmo de crescimento deve se repetir em 2011.
Pode-se ver, nesse sentido, a atuação malévola do petróleo no que concerne à temperatura, pois houve o estrepitoso aumento de dois graus em pleno século XXI, algo anormal e galvanizado, sobretudo, pela queima de combustíveis.
Mas, todo esse desenrolar gira em torno do conforto social e, obviamente, abrir mão de uma boa “qualidade de vida” é quase que impossível, já que quase tudo o que se produz hoje é oriundo do petróleo, desde os produtos de limpeza doméstica a remédios preventivos do câncer. Indubitavelmente, será doloroso o desvencilhamento homem-petróleo, assim como sua mudança de identidade: “de homem hidrocarboneto a tão somente homem”.
Todavia, a pergunta hipotética que os homens fazem a si mesmos é a seguinte: “como será o mundo sem o petróleo?” Talvez nem respostas haja. A dependência da sociedade em relação aos combustíveis fósseis é patente. Vê-se isso na quantidade de automóveis que circulam no mundo, aproximadamente, segundo Carta Capital, de 800 milhões.
O que resta, como o explícito exemplo que se é visto no Oriente, é seguir os ditames e caminhos traçados pela China, olhar o futuro e investir em turbinas eólicas, paineis solares e biomassa, pelo menos para a amenização futura de uma quebra contundente. O investimento em tecnologias provenientes de fontes renováveis, não poluentes e que supra o petróleo em todo seu dinamismo é o quê das discussões atuais, pois, na falta do petróleo como se moverão os automóveis e aviões? Como serão produzidos os polímeros? É algo a ser pensado, debatido e, caso venha a ser solucionado, buscado para o bem do homem, do planeta e seu futuro.

sábado, 7 de maio de 2011

Ambição incontrolável

Delfim Netto
Um número crescente de leitores de jornais e revistas voltou a comentar as ideias e discutir os argumentos de artigos e análises que tratam de política econômica. Isso no momento em que se trava uma discussão bastante nervosa em torno das taxas de inflação. Há opiniões de gente do governo (e também de fora) que o momento não é propício a uma ampla discussão pública do problema, porque isso poderia deteriorar ainda mais as expectativas inflacionárias.
Concordo que essa é uma preocupação importante, mas a ampliação do debate hoje é necessária para que não prevaleça o pensamento único imposto à imprensa por grupos restritos que se julgam portadores de uma ciência econômica que, na verdade, não existe. “Cientificamente”, os vastos recursos do sistema financeiro influem decisivamente na construção das expectativas da inflação. São elas que dão o suporte necessário à elevação das taxas de juro.
Nosso papel é insistir em questionar esse mecanismo de criação das expectativas que o Banco Central acaba sancionando. No final, oficializa a estimativa de inflação que é do próprio sistema financeiro. Quando criticamos esse mecanismo, não estamos dizendo que a taxa de juros não é um instrumento válido para combater a inflação, mas sim que este é um processo perverso que pode pôr em xeque a própria democracia: quem controla a mídia acaba impondo a sua vontade.
Vivemos um período relativamente longo (nos anos que antecederam a eleição de Lula) em que o debate econômico esteve interditado. Com a “virada de agenda” em favor do crescimento com inclusão social, parece ter renascido o interesse em discutir a política econômica de forma ampla, sem restrições.
Não há nenhuma razão para acreditar que a utilização da taxa de juros não possa ser acompanhada de medidas macroprudenciais no combate à inflação. Em um mundo ideal, em que tudo caminha bem, sem atritos ou restrições de qualquer natureza, a taxa de juros era uma coisa fantástica: bastava apertar um botão e ela subia, colocando a inflação no nível que o Banco Central desejava. Hoje, ninguém mais acredita que os bancos centrais sabiam como controlar a inflação ou defende a ideia de que só existia um instrumento para fazê-lo. Nem mesmo os economistas do FMI manifestam essa crença. Seguramente, o que se espera é que os Bancos Centrais prestem atenção em pelo menos três coisas: 1. A higidez do sistema financeiro, no que o nosso Banco Central foi mestre. 2. O controle da inflação, sobre o que tenho minhas dúvidas. 3. A utilização de medidas macroprudenciais.
No mundo real onde vivemos, cheio de complicações, é preciso observar primeiro se a elevação da taxa de inflação no Brasil é simplesmente produto de um excesso de demanda interna ou se ela é mais a consequência de um descompasso entre procura e oferta na estrutura interna do setor serviços.
Por mais que se queiram ignorar os fatos, a verdade crua é que o nível da taxa de juros brasileira propicia uma arbitragem que é incontrolável. O governo está usando alguns instrumentos para reduzir o ritmo da sobrevalorização que ela permite. Mas não devemos ter dúvida, mantendo-se as oportunidades de arbitragem, a valorização não para. O que significa que setores que produzem e precisam exportar vão continuar sofrendo imensos prejuízos.
As consequências são terríveis para a nossa indústria e logo também poderão infligir danos à agropecuária. Por enquanto, o campo se defende porque os preços externos dos alimentos estão nas alturas. Até quando vão continuar assim é impossível prever. O agronegócio poderá sentir menos que os demais setores os efeitos da variação cambial, porque o dólar terá de se ajustar no momento em que os preços agrícolas caírem. Mas ainda deve demorar um pouco.
Já há, contudo, alguns sinais de mudança na atitude dos organismos internacionais, indicando a possibilidade- de se estabelecerem controles sobre o movimento de capitais. Há pouco mais de duas semanas, o FMI admitiu que, em “circunstâncias específicas”, o controle do fluxo de capitais pode vir a ser uma das ferramentas da política econômica dos países que estão sofrendo por causa da supervalorização de suas moedas. Esses países não devem continuar a ser obrigados a assistir passivamente à erosão de sua base industrial sujeita à competição desleal de países mais espertos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

EXTRAÍDO DIRETAMENTE DA ISTOÉ: www.istoe.com.br


Quase dez anos depois do 11/9, Osama Bin Laden é eliminado



Terrorista mais procurado do mundo foi morto em ação americana; talibãs prometem vingança
AFP
Os talibãs paquistaneses, aliados da Al-Qaeda, prometeram nesta segunda-feira vingar a morte de Osama Bin Laden por uma operação americana, e prometeram atacar objetivos americanos e do governo paquistanês.
"Não podemos confirmar o martírio de Osama Bin Laden, quando nossas próprias fontes confirmarem estaremos em condições de afirmar outra coisa", disse o porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), Ehsanullah Ehsan, em uma entrevista por telefone à AFP. "Se conheceu o martírio, vingaremos sua morte e lançaremos ataques contra os governos americano e paquistanês, assim como contra as forças de segurança, inimigos do islã", disse Ehsan.
O TTP prometeu lealdade à Al-Qaeda em 2007 e no mesmo ano declarou a jihad (guerra santa) no Paquistão, cujo governo foi acusado de apoiar os Estados Unidos na luta contra o terrorismo.
Comemoração
Uma onda de alegria tomou conta da Times Square e do Marco Zero, em Nova York, assim como em todo o resto dos Estados Unidos depois do anúncio da morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden. Minutos depois de divulgada a noticia, milhares de nova-iorquinos começaram a festejar na Times Square, onde os telões exibiam a notícia confirmada pelo presidente Barack Obama.
"U-S-A, U-S-A, U-S-A!", gritavam as pessoas em coro, enquanto os painéis de noticias davam detalhes da operação militar americana que matou o terrorista mais procurado do planeta. "É um milagre", comentou Monica King, uma afro-americana de 22 anos que estava em Nova York quando ocorreram os atentados do 11/9. "Os ataques mudaram Nova York, mas, dez anos depois, tivemos a última palavra", afirmou ainda.
Gary Talafuse, de 32 anos, um turista do Texas, afirmou que os americanos sentiam um grande orgulho nacional nesta noite. "Pode ser que isso mude muito a estratégia da Al-Qaeda, mas depois de milhares de milhões de dólares investidos, é um grande perda para eles e compensa em parte nossos esforços", afirmou Talafuse.
Um grupo de jovens que era ainda crianças quando a Al-Qaeda atacou os Estados Unidos também estava entusiasmado. "Estou muito contente", afirmou Matthew Maciejewski, de apenas 20 anos, contando que estava na escola quando aconteceu o 11/9.
Milhares de pessoas também se dirigiram ao Marco Zero, em Nova York, onde os ataques de 11 de setembro de 2001 destruíram as Torres Gêmeas do World Trade Center que se erguiam no local. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, destacou esperar que a notícia da morte de Bin Laden traga um sentimento de conclusão e conforto às famílias vítimas do 11/9.
"A morte de Osama bin Laden não diminui o sofrimento que os nova-iorquinos experimentaram, mas é uma vitória muito importante para nossa nação", acrescentou. Para o chefe da polícia de Nova York, Raymond Kelly, a morte de Bin Laden é uma notícia importante para as famílias das quase 3.000 vítimas dos ataques.
As ruas em torno do Marco Zero foram tomadas por pessoas exibindo bandeiras americanas e cantando o hino nacional. "Dez anos depois e finalmente o pegamos", declarou o capitão Patrice McLead, chefe dos bombeiros, que tiveram uma participação fundamental no momento da tragédia.
Em Washington, também houve uma explosão de alegria diante da Casa Branca, no momento em que o presidente Barack Obama anunciou a morte de Osama Bin Laden. Gritando o nome dos Estados Unidos, alguns manifestantes exibiam bandeiras americanas num ato espontâneo diante da sede da presidência para comemorar a morte do chefe da al-Qaeda. "Nunca senti tamanha emoção", declarou John Kelley, estudante de 19 anos. "É algo que nós esperávamos há muito tempo".
A notícia também foi festejada em eventos esportivos. Os torcedores dos Filis da Filadélfia, equipe das Grandes Ligas do beisebol americano, começaram a gritar em coro "U-S-A, U-S-A" no estádio Citizens Bank Park ao inteirar-se da morte do terrorista. A comemoração também tomou conta da tribuna da equipe adversária, os Mets de Nova York.
Risco de terrorismo
Porém, a felicidade pela captura não pode dar lugar ao descuido. A Interpol pediu maiores medidas de segurança nesta segunda-feira, alertando que a morte de Osama bin Laden pode provocar uma intensificação dos ataques através do mundo.
O secretário-geral da Interpol, Ronald Noble, recomendou vigilância extra da as autoridades para um aumento do risco de terrorismo por parte da al-Qaeda e seus associados como resultado da morte de Bin Laden.

Repercussão


Paquistão
O primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, qualificou de "grande triunfo contra o terrorismo" a operação que matou o líder da Al-Qaeda no país. "Somos contrários ao terrorismo, não deixaremos ninguém utilizar nosso território para atos terroristas contra qualquer outro país e, em consequência, considero que se trata de uma grande vitória", declarou Gilani. "Não conheço os detalhes da operação, mas é um êxito e apresento minhas felicitações por este êxito", completou o primeiro-ministro.
Afeganistão
O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu aos insurgentes talibãs que aprendam as lições da morte  de Bin Laden e interrompam os combates. "Pedimos aos talibãs que tirem as conclusões do ocorrido ontem e interrompam os combates, cessem a destruição de seu país e as mortes dos irmãos muçulmanos e dos filhos deste país, com o objetivo de optar pela paz e a segurança", declarou o presidente Karzai à imprensa.
Irã
A morte de Osama Bin Laden deixa os "Estados Unidos e seus aliados sem desculpas para manter suas forças no Oriente Médio sob o pretexto de lutar contra o terrorismo", afirmou nesta segunda-feira o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã.

 "O Irã espera que este acontecimento ajude a estabelecer a paz e a segurança na região", delcarou Ramin Mehmanparast. "Os Estados Unidos e seus aliados não têm mais desculpas para manter suas forças no Oriente Médio sob o pretexto de que está lutando contra o terrorismo", acrescentou.


Palestina
O chefe de Governo do movimento radical palestino Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, condenou nesta segunda-feira a operação americana que matou Osama Bin Laden no Paquistão.
"Condenamos o assassinato de qualquer mujahedin (combatente islâmico) e de qualquer indivíduo, muçulmano ou árabe. Pedimos a Deus que dê sua misericórdia", declarou Haniyeh à imprensa em Gaza. "Se esta notícia é verdade, pensamos que se trata da continuidade da política de opressão americana baseada no derramamento de sangue dos árabes e dos mululmanos", completou.